terça-feira, 14 de outubro de 2008

Momentos

O dia ainda anda nublado, um pouco frio, o Outono já querendo ser Inverno.
Meu coração não enche de alegria, ainda chora pela desorganização social.
Tento não ser tão racional, tento não ser só humana, ser um pouco animal, atrevida, mentida, amiga e amante.

Mas minha amada esta tão distante!

Tento contemplar a luz do sol, no seu brilho fraco quase inexistente, sigo, porque preciso do ar que respiro, preciso dizer que a vida é mais que tudo isso, essa incerteza que nos cerca e nos aniquila.

Tenho que partir de algum ponto para o infinito
Tenho que escrever e tentar fazer um verso mais bonito
Nada é novo, nada é o mesmo céu, nem o mesmo tormento
É a solidão no meu peito
Preciso do seu beijo.
Regar minhas flores plantadas no chão do meu coração

Preciso reagir, abrir a janela e ver os pássaros a entrar
Preciso do meu lugar para poder de novo voltar
Preciso do meu Rio de Janeiro, preciso do meu Brasil tropical
Onde as incertezas são certas porque sei onde começa as estradas

Preciso ir, eu não sou daqui, eu não sou da tua terra, eu não sou do teu planeta, eu não sou desse lugar…
Preciso encontrar o mar, preciso me banhar nas águas da mãe Oxum
Preciso me regar, me alimentar de todo o silêncio do ar.

Eu tenho que ir, me embalar de leve na rede dos Guaranis
Comer sua comida moída na folha da bananeira, preciso do seu verde da terra, sentir o cheiro da tua pele, preciso, preciso, preciso.

Eu vou, eu fico, tu vais, eu volto, tu vens, nós vamos, seguimos, partimos, sentimos, sonhamos, deixamos tudo ser o que é.

Lilia Trajano 17.10.2006 (Um texto antigo que trago de volta)

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